quinta-feira, 6 de outubro de 2011

HISTÓRIA DO BICUDO FIOTE

Texto publicado com a colaboração da COBRAP (extraído da internet)

Fiote
Um Grande Mestre

Um pássaro predestinado, assim muitos analisavam um bicudo pardo, mas que já possuía um canto maravilhoso. Em 1987, há dezesseis anos surgia “Fiote”, nome dado pelo seu primeiro proprietário, Jorge Boeris, que antes de completar dois anos, ainda pintado, conquistou o primeiro campeonato brasileiro de canto clássico alta mogiana.

Naquela época não existia estaca para bicudos pardos, e mesmo disputando com pássaros adultos, “Fiote” participando de poucos torneios acabou ganhando todos, e atingindo uma somatória de pontos suficiente para torná-lo o bicudo campeão brasileiro mais precoce na história dos campeonatos.

Em 1992, foi adquirido por Celso Jardim, que após formar uma dupla com outro bicudo, que possuía o mesmo canto, “Cacique Negro”, conquistou três campeonatos brasileiros de canto de bicudo alta mogiana sem repetição, em 1993, 94, 95. Naqueles anos configurava-se a formação de uma linha de canto, que vem registrando durante os anos o surgimento de outros bicudos com canto semelhante ao do “Fiote”.

No ano seguinte despontava “Tamborim”, (vice-campeão brasileiro em 1995) bicudo pintado que possuía a mesma seqüência melódica do mestre “Fiote”. Em 1997, tornava-se pentacampeão brasileiro com repetição, “Xingu”, (campeão brasileiro com repetição em 1993, 94, 95, 96, 97) que também foi aluno do grande mestre “Fiote” e possuía seis notas a menos. O bicudo “Cacique Negro” foi o pássaro que conquistou o 1º torneio Intercontinental como o melhor bicudo de canto sem repetição e “Xingu” como o mais repetidor.

O bicudo “Fiote” foi gravado ao vivo em estúdio na cidade de São João da Boa Vista e com o lançamento da gravação do “Fiote”, em fitas K-7, disco de vinil, e de CD, em 1995, começou uma nova fase com aparecimento de novos bicudos com a mesma seqüência melódica de “Fiote”. O bicudeiro, José Carlos Camargo da cidade de Campinas, após meses de ensinamento de um bicudo criado desde primeiros de vida, viu seu pássaro-orfão, assimilar o canto do mestre. O bicudo “Fênix” saiu tão parecido que continha as mesma quantidade de notas do mestre, e a mesma seqüência melódica que gravou um CD e já vendeu milhares de cópias.

Companheiro, aluno e irmão de pai e mãe do grande mestre “Fiote”, o bicudo “Cacique Negro” (campeão brasileiro sem repetição em 1996), também colaborou com o mestre, ensinou dois pássaros de canto muito admirado naquela época, os bicudos, “Mister M” e “Xingó” ( campeão brasileiro sem repetição em 1998). Um acidente doméstico acabou vitimando, “Cacique Negro” e “Xingó”. Outro bicudo que aprendeu a cantar com “Cacique Negro”, de nome “Senna”, conquistou o campeonato brasileiro com repetição em 1999.

“Fiote” ainda seria campeão brasileiro em 1997, com seu novo proprietário Ednei David, e disputava campeonatos com seus alunos, que já começavam a atravessar fronteira do Estado de São Paulo. Com ajuda da gravação de seu canto existem registros de pássaros em varias cidades brasileira com a mesma linha do mestre “Fiote”, nos estados de Minas Gerais, Paraná, e Rio de Janeiro. Vários bicudos apareceram nesta época com canto da linha de “Fiote”, como “Chaparral”, “Menino da Porteira”, “Guarani”, e “Astro” e conquistaram muitos torneios de canto.

No ano de 2000, um bicudo de nome “Botafogo” foi adquirido por Manoel Dalbianco (Pité) da cidade de Jacarezinho, no Paraná. Com notas e andamento de canto semelhante ao mestre “Fiote”, conquistou o campeonato brasileiro em 2001. Segundo comentários de passarinheiros, existem bicudos com mesmo andamento de canto do mestre na cidade de São José do Rio Preto, Niterói, Belo Horizonte, e mais recentemente na cidade de Bauru vem destacando-se nos torneios de canto, um bicudo com nome de “Brioso” (vice-campeão brasileiro de 2003), que também assimilou o canto do “Fiote” através de gravações em CD. Outro bicudo que se destacou nos últimos anos com andamento e seqüência melódica do grande mestre “Fiote” é o bicudo “Mister” que foi a grande revelação de 2002 e conseguiu 3º lugar no campeonato brasileiro de 2003. Ficando atrás de “Brioso” e do campeão da temporada sem repetição “Estrela Dalva”.

Outro fato curioso em relação ao aprendizado de novos pardos com iniciação do canto “Fiote” está sendo registrado em um estilo de canto marcante, com as mesmas notas em uma velocidade menor e com uma bonita melodia, são pássaros que imitem as notas do “Fiote” em velocidade menor, mais lentos, como “Trem da Alegria”, “Estrela Solitária” e “Estrela Dalva” estes dois últimos quando pardos formaram a melhor dupla de bicudos pardos na categoria. Quando adultos já venceram muitos torneios e “Estrela Dalva” foi o campeão brasileiro sem repetição de 2003. O criadouro de José Jader Amorim (Ceará) e João Preá revelou muitos pardos nos últimos anos com esta linha de canto e entre os galadores do plantel destaca-se o bicudo “Pavarotti” irmão de “Fiote” e do “Cacique Negro”.

Destacando-se ainda um bicudo que desde pardo e ao atingir a fase adulta mostra a mesma seqüência de notas de “Fiote”, com nome de “Diamante Negro” conviveu com “Fiote”, que morreu em 2006, no local conhecido como “Recanto dos Bicudos” do bicudeiro Ednei David que mora no interior paulista, na cidade de Indaiatuba.

Nos últimos dez anos de torneios oficiais da Federação Brasileira de Pássaros Silvestres na categoria canto de bicudo, nas dez categorias de canto sem repetição, sete campeões são da linha do mestre “Fiote” e na categoria com repetição dos últimos dez campeões, oito bicudos são da linha de canto do grande mestre. Os registros dos mapas de torneios oficiais apontam que “Fiote” conquistou mais de 140 troféus em 1º lugar, sendo 125 sem repetição e 15 com repetição. Um canto que veio para ficar, e trazer muitas alegrias a todos os bicudeiros que possuem pássaros com a linha de canto clássico alta mogiana.